28 janeiro 2011

Variabilidade

Una lengua nadie más es do que la expresión de una forma de vida. Hablar otro idioma es el mismo que su escape de la realidad a otra, en momentos en que necesita para ventilar o reaccionar de una manera neutral, parece más fácil. Luego yo escribo en español, y señaló que otra manera de decir lo que me olvido de lo que siento. A partir de ahora yo voy pensar en español, esa es la idea. Quién sabe si me expresar desa manera lo que yo tengo a decir puede ser menos nocivo o encendedor para mis sentidos. Las lágrimas se secan y el polvo cubre la contusión, el pesamentos, bueno, estos son todavía, pero no estoy dispuesto a cambiar? Asumo que el error está en mis manos y cambiar me los puede cambiar. Pensar en español, dejando a lo portugues a los momentos más relajantes, si hay alguna forma que estoy buscando, así que no hay nada oculto que no se puede encontrar. El cambio, tratando, estoy tratando. Una hora llegaré al éxito.

Camila Oaquim

Do tempo

Então vais me queixar do passado como fardo pesado que levas e ouvirei muda como faca cravada no peito. Gritarei ao mundo, em silêncio, a minha dor, chorarás em meu colo a mágoa que agora me magoou. Pensarei em porquês pra tanta apreensão, meus pensamentos voaram aos céus em explosão de imaginação e de raivas cheias de repúdio pelo que não sei e nem quero saber, grata. Falarás compulsivamente olhando meus olhos entregues, chorarei descontente pela não plenitude da intensão de me curar a ferida com as palavras. Perguntarei a mim mesma o porque de estar aqui, julgarei tudo e vou temer mais uma vez o que quero saber mas não quero ouvir. Levarás tapas de minhas palavras ríspidas, levarei socos e pontapés dessa atual situação. Continuaremos aqui, apanhando até achar solução.

Camila Oaquim

Das dores

Dói em mim só o fato de pensar em outras mãos sobre o que é meu. A cólera me sobe e a raiva transborda por toda a minha essência. Entre explosão de choro e agressividade, a repulsa de nós me possui. Penso em sumir, penso em me manter afastada, em não fazer mais nada do que antes fiz. Penso em apagar a memória e tento mais do que tudo colocar pra fora esse desespero que quanto mais demonstro mais me consome, que quanto mais calo mais me sufoca. Mas entre salvos e feridos continuo aqui, ainda que morrendo.

Camila Oaquim

27 janeiro 2011

Quando me chamas

Quando me chamas não sei se me queres mais perto ou se devo parar,
e quando me matas com os olhos devoro-te toda, minimamente.
Quando te mostras de todo me curvo a teu corpo pra te apreciar,
quando me olhas calada suspiro do amor descabido alojado em mim.

Enfeites na prateleira são detalhes tão esquecidos de todos,
é tanta bobeira, é tanta besteira, o que nos restou perguntamos a nós,
e o que nos restou, amor, foram nossos amores unidos a sós.

Marcas do tempo invadem o corpo cansado querendo ficar,
nino meu sono em teu colo e desmancho-me em pranto silencioso.
Às brigas mais irritadas o medo acanhado de nos ausentar,
os dias que nos engrandeceram lentamente fizeram-nos a soma.
Quando te grito nas brigas por verdades inteiras a me matar
não sei se corro à teus braços ou se dou meia volta ao rumo de casa.
Quando, nessa intensidade de coisas, beijo-te com pressa e sem soltar
mil anjos perdoam-me a raiva que tive de ti e de mim aos teus pés.

Zodíaco e astros, planetas em órbitas e tudo o que acreditas,
não interferem em nada, para mim, pra que as coisas fiquem assim,
tu me amando e eu te implorando, tu do ladinho de mim.

Camila Oaquim

Trovador de sonhos

Perguntei ao trovador de sonhos como ele os prendia e soltava em forma de rima, ao contrario de minhas tentativas mal feitas em que tento prender a melhor parte dos sonhos em mim, noite e dia. Respondeu-me, no instante e atento, que os sonhos não se fazem submissos à nós, não prendemo-los nem achamo-los. Que eles nos acham e nos prendem com amarras tão fortes a ponto de precisarmos fazer deles reais.
Com mil e uma faces em sua cara pintada mostrou-me as palavras ariscas que espantavam de mim essa mania “encriançada” de querer prosear com a vida de acordo com esse querer involuntário. Fez seus versos e rimas, poesias de amor e de escárnio, culpou o bem-querer das alegrias e o homem das tristezas, fazendo uma sinfonia sinestésica sem som cheia de aliterações em que pude ouvir com os olhos e mãos, sentir então.
-Aonde, então, aonde foi, trovador, que aprendeu a ser feliz?- Perguntei-lhe de modo a não entender. Ora, pois como é que um homem igual a todos dribla a vida de forma tão talentosa sem levar uma rasteira e cair de forma dolorosa?
Homem esperto é assim, faz a arte e não explica a magia. Não entendi na hora mas depois dei-lhe a razão. Disse-me sério e com cara de quem já muito amargurado foi que tudo o que passamos de ruim nos faz pessoas melhores, basta querermos. Deixou a máscara de lado e de uma lágrima dele fez-se meu pranto. O desespero me habitava, se homem forte e risonho chorava agora eu via mais e mais motivos pra poder chorar também.
Depois de ziguezaguear nesta prosa dei por conta da bobeira que fiz. Uma vida é uma vida e dela se faz dependente, mas só. Não adianta querer saber a razão da força alheia se não encontrar a minha. Meus sonhos têm de ser tão meus a ponto de ninguém conseguir se sentir tão dono deles quanto eu, já que de mim se apossaram. Se não aprendi a rimar bonito era porque não havia de ser assim o caminho à minha felicidade. Se precisar eu choro, me desespero e jogo a palavra ao vento, cada um sabe a magia que carrega em si e olha, eu aprendi, não precisa ser nenhum trovador pra poder ser feliz.

Camila Oaquim