26 julho 2014

Torres

A cada sofrido momento um poema,
era assim minha doce escuridão.
Dias gélidos, outros amenos,
tanto faz mais um que vem ou infinitos que vão.

Então houve uma pausa dos mil desabafos
e um enorme tempo de reflexão.
O que há, o que houve, menina sofrida,
cansou-se dos poemas ou da vida, então?

Fitaram-me contidos verdes olhos,
sinuosos, tentando encontrar os meus.
E um macio peitoral insistentemente dizia-me:
Não desista, menina, do que é seu.

Aos poucos os nós se afrouxaram,
vi-me ascendente e livre em outra imensidão.
Ora, triste desabafava constantemente,
onde está, diacho, o poema feliz, então?

Eis que, de repente, tudo me fez sentido
enquanto encontrei-me na mais alta das torres.
Não faço mais poemas tristes, amigo leitor,
pois se ando morrendo, é somente de amores.

Camila Oaquim