02 setembro 2014

Camila, quer casar comigo?

Camila, a menina chata da minha sala
Não pude evitar de perceber
Nestes versos contarei uma história
Algo dentro de mim começaria a florescer

Quer saber uma coisa? 
Só sua amizade já não basta
Agora quero namorada
Diz sim, me leva contigo, me arrasta

Casar com você, desejo infinito
E de beliscões, mordidas e arranhões
Mostra que é real, meu desejo mais bonito

Comigo te levarei
Quatro versos bem simples, dois complicados
Morena, sempre te amarei.


Torres

26 julho 2014

Torres

A cada sofrido momento um poema,
era assim minha doce escuridão.
Dias gélidos, outros amenos,
tanto faz mais um que vem ou infinitos que vão.

Então houve uma pausa dos mil desabafos
e um enorme tempo de reflexão.
O que há, o que houve, menina sofrida,
cansou-se dos poemas ou da vida, então?

Fitaram-me contidos verdes olhos,
sinuosos, tentando encontrar os meus.
E um macio peitoral insistentemente dizia-me:
Não desista, menina, do que é seu.

Aos poucos os nós se afrouxaram,
vi-me ascendente e livre em outra imensidão.
Ora, triste desabafava constantemente,
onde está, diacho, o poema feliz, então?

Eis que, de repente, tudo me fez sentido
enquanto encontrei-me na mais alta das torres.
Não faço mais poemas tristes, amigo leitor,
pois se ando morrendo, é somente de amores.

Camila Oaquim

16 maio 2014

Alguém

    João gostava de mulheres cultas, não tão magras mas jamais com peso em excesso. O linguajar cotidiano da maioria de outro nível social que não o dele ou daquele que, para ele, se classificava como superior lhe causara sempre uma repulsa contida.
    Por infinitas vezes teve casos com mulheres que julgara ser seu tipo. Pobre João, seu relacionamento mais longo, se é que se pode denominar aquilo relacionamento, foi de pouco mais de quatro meses.
    Não se pode dizer que por isso João passou a ser uma pessoa desacreditada. Cabreiro, sim. Sua lista de exigências para a possibilidade de um futuro flerte cada vez se prolongava mais nas linhas de seu caderno de críticas imaginário.
    Seus amigos que, se não casados já se  encontravam a poucos passos disso, indagavam-lhe o por quê de tantas precauções. João não sabia responder, também não mudava, sempre achou arriscado demais dar a cara a tapa assim. Se com tantas exigências teve seus quatro meses tão sofridos, que diacho de vida levaria se abrisse a guarda para alguém com padrões que não os esperados por ele. O que João não sabia é que o acerto às vezes vem de sucessões de erros.
    Alguns dias podem não ser como esperávamos, mas aquele dia para João a cada minuto se tornava pior. Após baterem em seu carro no meio de um trânsito infernal e ter de esperar horas até conseguir resolver tudo, finalmente pôde voltar pra casa de metrô.
    Duas coisas que detestava, uma ainda mais que a outra. Seu carro e seu emprego lhe eram sagrados, assim como suas exigências rebuscadas quando tratava-se de mulheres.
    Mas foi assim, no meio de uma estação lotada a espera de um metrô que, por contraditória sorte, encontrava-se com o ar condicionado quebrado, que João conheceu Ana. Não alta mas não tão baixa, um pouco acima do peso e sem nenhum dos atrativos que chamariam a atenção dele. E por mais  contraditório ainda que seja, foi assim que uma mulher pela primeira vez desde seu grande fracasso pessoal relacionado ao amor fez João se ver realmente interessado em alguém.
    Vai João, não se afobe! Não há regra no mundo que nos restrinja a felicidade por esteriótipos ou linguajar. Vai, João! Que as cultas talvez já saibam demais para ter que aprender a lhe amar.

Camila Oaquim

06 maio 2014

Rapaz

Queres mas não buscas,
Choras e estagna
O que houve, rapaz?
Não sufoques a menina!

Há pranto excessivo
Mil palavras sem motivo
Há juras descabidas
Para verdades tão sentidas

Há raiva desmedida
Mil medos sufocados
Será que nao percebes, rapaz
Que ela também sofre um bocado?

Pois queres mas não mudas
Impõe-se pessimista
Ela queria, mas não pode
Dizer que não desista!

Camila Oaquim

07 janeiro 2014

Ver-te, verde

Talvez eu goste do seu jeito manso
de invadir a minha vida de repente.
Minha saudade, esvaindo aos poucos.
tornou-se certeza do riso frouxo seu.
Quem sabe assim, na minha camisa sua
e no seu colo meu, não deva ser?
Tornando da afeição ao meu passado errado
um esquecimento nessa verde imensidão
das vestes e dos olhos seus, tão meus!

Camila Oaquim