30 abril 2010

Proximidade Longínqua

Frente à tela o mundo diminui
E os detalhes passam a me escapar
O lá se torna aos poucos aqui
E o aqui se torna tão rápido lá.

Tateando se conversa em silêncio
E o silêncio se apresenta ao conversar,
Vou achando o meu eu em minha ausência
Do que sou quando aqui, me encontro lá.

O que sou lá não tem forma nem razão
Enquanto aqui estou preso por meu nome
Posso ter a minha mente em minhas mãos
Ou comer migalhas da vida por fome.

Estagnado olhando para o meu eu
Brinco com milhares de informações
E quando os olhos felizes lêem adeus
Volto triste a olhar as reais desilusões.

E a tela se torna porta fechada
E as mãos já não são mais a perfeição
Até outra realidade ser encontrada
Fazendo do mundo o que cabe na visão.

Camila Oaquim.

27 abril 2010

Monólogo

O porta retrato quebrou,
A nossa foto rasgou,
Meu medo não passou.
Está tudo bem, não quero você.

Meu coração disparou,
Mais um dia acabou,
Você não telefonou.
Está tudo bem, não quero você.

Não quero você,
Não amo você,
Não sofro, não rio
Não sinto sua falta.

Não quero você,
Não tenho o que perder,
Não vejo, não tento
Não creio na volta.

O despertador tocou,
Você não me abraçou,
Outro dia começou e
Está tudo bem, não quero você.

O choro acabou,
Meu pensamento me calou,
A vida continuou e
Tudo bem, talvez eu queira você.

Camila Oaquim.

25 abril 2010

Tudo Bem

Seria mais fácil se não existissem vestígios seus por cada canto que eu passo, por cada lugar que eu olho. Se meu coração não acelerasse, minhas mãos não tremessem e meus olhos não lacrimejassem involuntariamente ao te ver, ao saber de você ou ao ouvir a sua voz, com certeza seria bem mais fácil. Mas tudo é superável, agora as lembranças ficarão guardadas em silêncio e o desaguar dos meus olhos expulsará seus olhos de mim, as dificuldades que agora encontro sumirão feito pó depois da ventania, ficará tudo bem meu bem, meu amor, minha amiga.

Camila Oaquim.

17 abril 2010

O Término do Dia

O reluzente dia que nasceu
Veio morrendo aos poucos
Enquanto o sol desapareceu
No silêncio de gritos roucos.

A escuridão demasiada
Vindo tão lenta e rasteira
Esfriou sentimentos calada,
Matando corações, certeira.

A tristeza invadindo as ondas
No constante vai e vem do mar
Fez das almas tão oriundas
Grande piada, sem mesmo falar.

Perguntar-me-ão então grosseiros
Se não acreditarei na tal verdade
Das palavras ditas em desespero.

Responder-lhes-ei sutilmente
O quão relativa é a verdade
de quem vive inconstantemente.

Camila Oaquim.

13 abril 2010

Tentativa

Gritarei seu nome alto até perder a voz e ver que você não virá, olharei minha mão até ter certeza que seus dedos não vão mais entrelaçar os meus. Chorarei feito criança, enlouquecerei feito adulto, perderei o chão e as asas. Acharei o rumo que tenho que seguir, colherei os cacos do coração que deixei cair, me acalmarei com o tempo. Hei de aprender a não me desesperar com a sua ausência, voltar a rir das coisas sérias e só levar a sério as brincadeiras. E quem sabe assim, talvez eu não reencontre o sentido que a minha vida tinha antes de você.

Camila Oaquim.