Eu era nós, de laço forte e apertado, nós, de olhos abertos e braços dados.
Eu era aquilo que não se sabe, que não se decifra. Eu era tudo, tão pouco!
E eu me dei, emprestei, magoei. Eu sofri, calei, sorri.
Os nós afrouxavam, os nós se apertavam, a corda esgarçava e nós, lá, em nós.
E nós procurávamos, nós nos achamos, nos perdemos, e livres nos prendemos.
Na imensidão de opções a resposta era única, dentre nós só nós restavam.
E quem vai dizer que só restam males, ares ruins.
E quem vai dizer que ser preso não é opção, missão do sim.
Eu sou laço, não tão forte, não tão frouxo.
Mas sem preocupações, por favor. Caso ache que vou soltar, volta, voltamos, nós. Somos assim, só assim, e ninguém precisa saber diferenciar, ninguém além de nós,
porque em pessoa ou em amarras nos enquadramos e pronto, isso basta.
Eu sou aquilo que já sabemos, incógnita. Quase nada, tanto!
Camila Oaquim
30 junho 2011
26 junho 2011
Hoje
Acordei mais eu hoje, eu acho. Algum daqueles dias que você não se contenta com a parte que lhe cabe no latifúndio e quer mais, quer ir além. No meu caso, fui à mim. Que saudade! Não tinha percebido quanta falta fazia acordar e ver o Sol invadindo o quarto, entrando pela frecha do meu cobertor e iluminando a minha vida. Nem havia percebido o meu humor que dia após dia se esvaia e que, por não perceber, não tinha como recuperar.
Mas era uma pedra, só mais uma dessas que ficam no meio do caminho pra que tropecemos mil vezes até fazer do tropeço algo comum ao nosso andar. Era uma pedra que hoje sumiu. Não sei se pra sempre, se por um bom tempo ou só por alguns dias, tanto faz.
Projeções sobre o futuro, nosso eterno projeto, hoje não me cabem, não mesmo. Se eu tropeçar amanhã, paciência, oras. Hoje, só por hoje, não vou chorar nem lamentar, me preocupar ou temer. Hoje, só hoje meu tempo será quando. Até quando não for mais. Quando? Não sei. Quando!
Camila Oaquim
Mas era uma pedra, só mais uma dessas que ficam no meio do caminho pra que tropecemos mil vezes até fazer do tropeço algo comum ao nosso andar. Era uma pedra que hoje sumiu. Não sei se pra sempre, se por um bom tempo ou só por alguns dias, tanto faz.
Projeções sobre o futuro, nosso eterno projeto, hoje não me cabem, não mesmo. Se eu tropeçar amanhã, paciência, oras. Hoje, só por hoje, não vou chorar nem lamentar, me preocupar ou temer. Hoje, só hoje meu tempo será quando. Até quando não for mais. Quando? Não sei. Quando!
Camila Oaquim
29 maio 2011
Cria
Tira minha dignidade, meu pudor,
as roupas do corpo, o corpo de mim.
Tira minha voz e minha verdade,
prenda minhas mãos, fica em mim.
Rouba meus medos, joga fora,
com minhas respostas desaforadas.
Rouba meus beijos e súplicas,
promete que não vai embora.
Me tira a moral, me joga no chão,
me puxa, me prende, me solta.
Brinca comigo, fica comigo,
Faz eu me sentir única outra vez.
Tira minha opção de partir,
diz que sou sua e que não posso ir.
Me faz esquecer que sou racional,
me prende em sua vida como animal.
Pra sempre, pra sempre, amor,
me cria, me cuida, pra sempre, amor.
Camila Oaquim
as roupas do corpo, o corpo de mim.
Tira minha voz e minha verdade,
prenda minhas mãos, fica em mim.
Rouba meus medos, joga fora,
com minhas respostas desaforadas.
Rouba meus beijos e súplicas,
promete que não vai embora.
Me tira a moral, me joga no chão,
me puxa, me prende, me solta.
Brinca comigo, fica comigo,
Faz eu me sentir única outra vez.
Tira minha opção de partir,
diz que sou sua e que não posso ir.
Me faz esquecer que sou racional,
me prende em sua vida como animal.
Pra sempre, pra sempre, amor,
me cria, me cuida, pra sempre, amor.
Camila Oaquim
A pedra, a embarcação
Desmancho-me em rio, amor
Em sal de pranto desfaleço.
Insistes que não me compadeço,
perceberás só quando me for?
Forço-me em ser maleável,
Engulo choro, engulo tristeza,
esses sentimentos por natureza
mas o medo é inapagável.
A ponta da faca em minha mão.
O cansaço das reclamações,
as mais mil e uma citações
e, enfim a faca vai ao coração.
Se está tudo errado? não sei.
O tempo passa mas tudo volta,
pergunto-me, onde mesmo errei?
Em mim navegam tantas frustrações
nesse meu rio-pranto de tantas lágrimas.
Talvez eu atravanque outras embarcações.
Camila Oaquim
Em sal de pranto desfaleço.
Insistes que não me compadeço,
perceberás só quando me for?
Forço-me em ser maleável,
Engulo choro, engulo tristeza,
esses sentimentos por natureza
mas o medo é inapagável.
A ponta da faca em minha mão.
O cansaço das reclamações,
as mais mil e uma citações
e, enfim a faca vai ao coração.
Se está tudo errado? não sei.
O tempo passa mas tudo volta,
pergunto-me, onde mesmo errei?
Em mim navegam tantas frustrações
nesse meu rio-pranto de tantas lágrimas.
Talvez eu atravanque outras embarcações.
Camila Oaquim
24 abril 2011
Amor
O que faço?
Adio o ponto com vírgulas.
Cresço frases com adjetivos,
pronomes, verbos.
Mais substantivos, por favor!
O que faço?
Escrevo compulsivamente.
Mudo rumos, prosas,
tudo pra não declarar,
não aceitar, acabar no fim.
O que faço?
Derramar tinta dos olhos
nas letras sofridas do papel.
Começar do fim
a história que se enrolou.
Eu faço!
Uso o meu mais fino idioma.
Escrevo com mais lindas palavras,
uso ponto e vírgula, reticencias,
virgulas, mas nunca ponto final.
Camila Oaquim
Adio o ponto com vírgulas.
Cresço frases com adjetivos,
pronomes, verbos.
Mais substantivos, por favor!
O que faço?
Escrevo compulsivamente.
Mudo rumos, prosas,
tudo pra não declarar,
não aceitar, acabar no fim.
O que faço?
Derramar tinta dos olhos
nas letras sofridas do papel.
Começar do fim
a história que se enrolou.
Eu faço!
Uso o meu mais fino idioma.
Escrevo com mais lindas palavras,
uso ponto e vírgula, reticencias,
virgulas, mas nunca ponto final.
Camila Oaquim
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