07 janeiro 2014

Ver-te, verde

Talvez eu goste do seu jeito manso
de invadir a minha vida de repente.
Minha saudade, esvaindo aos poucos.
tornou-se certeza do riso frouxo seu.
Quem sabe assim, na minha camisa sua
e no seu colo meu, não deva ser?
Tornando da afeição ao meu passado errado
um esquecimento nessa verde imensidão
das vestes e dos olhos seus, tão meus!

Camila Oaquim

02 novembro 2013

Memórias Póstumas

Amor que é de verdade não acaba, pequena. Vira fumaça instalada no pulmão ou pensamento esquecido no porão da memória. Se torna roupa fora de moda que insistimos em guardar na gaveta. Sim, meu bem, não há motivo para forçar algo que não é pra ser, mas num doce e profundo lugar no meu peito ainda guardo você.

Camila Oaquim

22 abril 2013

Contínua


Ah, desvia que eu me enrosco
qual foi, qual é, minha menina!?
Padeço e tu esquivas...
eu tropeço, fazes graça.
Cai de rir da minha desgraça.

Ah, eu não quero mais.
Já me acostumei em ser assim,
ver-te enroscar a outros
meninos, rapazes, moços
fazendo o esboço da cicatriz em mim.

Se achas graça, se fazes piada
enquanto esqueço os olhos em ti,
hei de fazer o que, meu bem?
Rio em lágrimas, chove... chove...
inundando cada detalhe teu aqui.

Mordes que eu assopro,
Assopras que me cubro de vontade
de satisfazer essa vaidade
tão distante do teu negado sim...
sim, corres por fora e por dentro de mim.

Corres por dentro e por fora de mim... contínua.

Camila Oaquim

20 abril 2013

Breve desabafo do impossível


Quis te olhar de perto, faltaram-me pernas.
Quis dizer a ti mil coisas, esvaíram-se as palavras.
Quis abrir para ti meu coração, trancou-se em chaves.
Mas será que já não percebias que lhe amava?

Cuidaria de tuas pétalas, meu bem.
Regaria tua manhã com mil sorrisos.
Daria a ti tanta atenção quanto preciso.
Não te esquecerias em uma página de livro.

Ainda é cedo, amor
E já invades meu peito assim...
Será que seria muito cedo também
Para te achares em mim?

Camila Oaquim

10 novembro 2012

De volta à felicidade ou de volta ao erro?

       Então o tempo passa, algumas coisas voltam pro lugar e outras se encaixam de uma nova maneira que lhe faça sentir tão confortável quanto antigamente. Se sentir em casa de novo depois de um longo e cansativo dia, é essa a sensação. Mas poucos percebem que nossa casa é o lugar de onde não partimos, apenas saímos. Não, não há nada de ruim nisso, apenas se sentir de volta a casa é algo muito subjetivo. Apesar de sentir alívio e felicidade, em certas situações essa sensação pode querer dizer que estamos andando em círculos, sempre e sempre voltando ao mesmo lugar. 
       Devemos estar sempre dois passos à frente, ser donos de nós mesmos, ser certos até mesmo na escolha errada. Devemos muito e o tempo.. bem, o tempo nos cobra muito. Temo às vezes, muitas vezes. Talvez pelos meus sentimentos à flor da pele, pelos medos, mágoas e dúvidas. Talvez pelos mesmos sentimentos tentando me fazer acreditar nos mesmos romances batidos de finais felizes.
       Sei, sei que sou dessas que constroem castelos belos de areia impulsivamente e depois por raiva do vento que ainda nem apareceu chuta e faz de tudo nada mais do que um bolo de areia. Cada um tem a sua maneira torta de voltar pra casa, de se sentir confortável ou com medo de se sentir assim, de deixar o tempo passar. Só queria conseguir sentir mais uma vez a sensação de estar chegando em casa sem me julgar por estar andando em círculos.