13 abril 2010

Tentativa

Gritarei seu nome alto até perder a voz e ver que você não virá, olharei minha mão até ter certeza que seus dedos não vão mais entrelaçar os meus. Chorarei feito criança, enlouquecerei feito adulto, perderei o chão e as asas. Acharei o rumo que tenho que seguir, colherei os cacos do coração que deixei cair, me acalmarei com o tempo. Hei de aprender a não me desesperar com a sua ausência, voltar a rir das coisas sérias e só levar a sério as brincadeiras. E quem sabe assim, talvez eu não reencontre o sentido que a minha vida tinha antes de você.

Camila Oaquim.

12 abril 2010

Bicho

Sou bicho mudo
De queixo solto
De pernas bambas
De coração bobo.

De olhar calmo
E tristeza serena
Sorriso pacato
E dores pequenas.

Sou bicho amando
Confuso, medroso
Sempre querendo
Sempre receoso.

De escolhas erradas,
Tardias conclusões
De poucas palavras
E inúmeras ações.

Sou bicho e só
E disso me contento
Se me queres é assim
Vivo e isento.

Camila Oaquim.

07 abril 2010

( Des) Construção

Ah, esse encantamento
Que me mata, que não passa,
E aos poucos, calmamente traça
O belo sorriso e o triste pranto.

Ah, silêncio imaturo
Que faz-se aos poucos, sempre
Do nada e tão de repente
Temeroso do futuro.

Ah, essa insegurança
Rasteira e sempre silenciosa,
Crítica e tão maldosa,
Que não se mata, não se cansa.

Delicado esse entrelaçar de vidas
Essas certezas mal resolvidas,
Melancólicas só por ser.

Delicadas essas idas e vindas
De tanto medo de sua partida
Consequentes de amar você.

Camila Oaquim.

06 abril 2010

Desabafo

Eis aqui meu grande erro, continuar esperançosa de que as coisas mudem mesmo sabendo que não vão mudar e, como se fosse adiantar alguma coisa, chorando como criança. Temer o que está para acontecer e depois de acontecido, temer que tudo não se desfaça como mágica para ainda poder acreditar que no final tudo sempre dá certo, sem nem mesmo questionar se o final ainda está longe.
Grande erro, calar demais, sofrer demais, amar demais. Tentar acreditar que o ‘pra sempre’ não existe, que as coisas são pelo menos um pouco banais, que sempre acabam e aí, ao menor abalo, ao menor resquício de que o interminável pode terminar, desmoronar junto e acabar me perdendo no ‘pra sempre’, exatamente aquele que não existe mais.
Então começar a maldizer os sorrisos e as palavras que me fizeram bem, os momentos bons e os sonhos que criei, a ilusão que agora tanto me dói. Então, continuar te amando, te querendo pelo avesso pra fingir que estou bem, me matando aos poucos para não abandonar aos abutres as minhas idealizações, mortas.
Mas é mal do romântico sofrer tanto, e sempre. Não faz mal, ainda hei de encontrar o meu racionalismo perdido por aí, talvez junto ao meu futuro coração de pedra contendo meu nome e duas datas. Enquanto isso, sigo tentando despistar a esperança que me segue, que me faz tão quem sou, tão fiel escudeira do que todos denominam amor.

Camila Oaquim.

04 abril 2010

Eu te juro, te daria se pudesse, esse amor todo o dia ♪

Coração que apanha não cansa de bater
A toda hora, buscando razão de existir.
Meus olhos livres prenderam-se a você
E ainda soltos, não querem fugir,
O sentimento irredutível se mantém
A ferro e fogo, me matando só por ser
E me manter tão certa e medrosa
Do que sei que sinto e do que vai acontecer.
Por tanto amor, a ausência me mata
Enquanto disfarço, mal, que estou bem
E quando ríspida por obrigação
A palavra que sai em vão, rasteira
Me crava o punhal às costas
Matando minha ilusão, certeira.
Então eu choro em silêncio
Com meus olhos que serão seus,
E tento colar parte por parte
O coração que a tristeza moeu,
Continuo temendo inquestionavelmente,
Só não sei se por te amar tanto e sempre
Ou por poder te ter continuamente ausente
Mas, caso tudo dê errado e, consequentemente,
Eu tenha que fazer o certo, meu bem
Não pense que será fácil sorrir.
Caso tudo dê certo e, constantemente,
Você esteja aqui, meu amor
Nunca irei te deixar partir.

Camila Oaquim.