11 junho 2010

Questionamento

Agora me diz, me diz se existe ser mais repugnante que o homem. Ser que ama e se entrega, que sente falta e se aconchega nos abraços mais apertados das pessoas mais esperadas e depois se deixa levar pelo tempo e se acostuma com a ausência. Não sei, não sei se tenho raiva da vida por ter como conseqüência a morte, ou do viver por fazer todos se acostumarem com o que, na verdade, seria inaceitável. Pior que chorar pela perda, pior que lamentar os erros e querer o passado de volta, é saber que no futuro, mesmo que não seja dito agora, todos se acostumarão com a falta de quem não está mais aqui. Não julgo, sei que é o normal de nós, mas é tão angustiante a tentativa de guardar alguém dentro de você dia a dia e aos poucos perceber que já não se lembra mais da voz nem o jeito de falar, dos abraços e das coisas preferidas. Complicado esse aterramento do tempo na memória, esse aterramento da memória nos sentimentos, complicada a ausência aterrando a presença do que existe em nós, do que existia em nós, do que era pra existir.

Camila Oaquim.

3 comentários:

Chazzy Chazz disse...

É esquisito, algumas pessoas tem certa facilidade pra esquecer coisas, outras sãp tao fracas nesse ponto, como eu gostaria de ser assim como esse texto, forte de mente pra apagar da memoria o que me dói.
Mais uma vez lindo Camila, Parabens

CaioSereno disse...

Intenso e lindo! Talvez você tenha falado tudo e mais um pouco do que alguém num momento como o que você passa gostaria de falar ou ter falado... Parabéns!

Daniel Braga disse...

Não acho que seja tão assim, considero a vida mais cruel. A vida é tão bela, tão graciosa, faz exisitar a coisa mais perfeita do universo, o Homem e a Natureza pra no final morrermos e não levarmos nada. Ninguém se safa, mas a memória não se apaga assim de uma hora pra outra.

~Até a próxima, amore. Beijos.

*DB*

Postar um comentário