26 setembro 2009

Carta.

Meu anjo,
escrevo-te porque sei o quão breve é a vida,
pessoas morrem a todo o tempo e por isso andei pensando,
não quero morrer ou deixar que você morra sem ter a oportunidade de dizer algumas coisas que pra você talvez não façam diferença mas que pra mim, só de serem ditas farão.
Sempre acreditei que o amor não precisava ser dito aos quatro ventos pra existir, amar calado, bem quietinho, sempre fez parte da minha pessoa, assim como a discrição.
Acho que por tão discreto que sou, te omiti sentimentos.
Não sei se você sabe o quanto te quero bem, pois é, te quero muito bem meu anjo.
Vivemos em um mundo muito distorcido,
os meus valores são um tanto quanto diferentes dos atuais, acho que já reparou não é?
Tive cautela, pensei muito antes de me encorajar a escrever-te..
tudo é tão passageiro, das coisas já se é difícil ter certeza,
precisei de tempo, tive certeza do que realmente sentia,
certeza de que o amor que sinto é real, concreto, inabalável.
Curiosamente antigamente esperava ansioso o dia passar,
sempre fui muito caseiro, talvez pelo conforto, pela paz que minha casa me trazia, mas depois de você, minha casa perdeu a preferência,
talvez porque eu fique muito confortável ao seu lado,
ou porque você me traga tanta paz!
Querida, não tenho mais motivos para ir pra casa, estou em casa quando estou contigo!
Agora que sabes tudo que nunca ousei dizer, meu futuro está em suas mãos, não que antes já não estivesse, mas agora tu estás à par disso.
Caso não seja de teu contento o conteúdo desta carta,
peço-lhe que não te afastes de mim, queime esta, e queime-a de tua memória também.

P.S. TE AMO!

Camila Oaquim.

23 setembro 2009

Flores.

Estavam juntos a muito tempo,
ela a princesa dele, ele o porto seguro dela.
Aprenderam a compartilhar sorrisos,superar problemas,
juntos perceberam que se os dois estavam presentes tudo valia a pena.
Não havia doença ou morte que pudesse separá-los,
por isso pode-se dizer que estão juntos até hoje.
Ele era um amor de pessoa,um poço de sensibilidade e generosidade,
de tudo sabia um pouco, nunca se irritava, nunca levantava a voz.
Ela, tão meiga, tão boa, incapaz de magoar alguém.
Sempre gostaram muito da natureza, ele em especial adorava flores..
cuidava com todo o zelo possível de suas flores no quintal,
dizia ele, que de todos os amigos que alguém podia ter
as flores eram a amizade mais verdadeira.
Se você dá terra elas nascem,se dá água elas crescem,
se dá amor elas desabrocham e se tornam as mais lindas e encantadoras só pra te retribuir felicidade,
só pra te fazer ficar estático admirando-as.
Tudo ia bem, mas ela sentia que algo estava por vir,
falava com ele, que simplesmente silenciava apesar de saber o que iria acontecer.
As flores que sempre estavam lindas começaram a morrer,
o sol que brilhava todo dia começava a não aparecer,
e a doença que ele escondia deu sinais mais claros de que não iria embora.
Ela entrou em choque, sabia que nada sem ele teria sentido,
e assim foi, ele dormiu, dormiu e não acordou mais
e ela ficou sem chão, sem ar..
as flores que ainda restaram de tanta tristeza morreram,
e em homenagem a ele as nuvens puseram-se a chorar,
não uma choro qualquer, naquele dia caia um temporal.
O tempo passou, ela que vivia mal sem ele não resistiu,
se entregou a vida pra dormir o quanto antes junto ao seu amor
e assim foi, do lado dele ela deitou, dormiu.
É curioso, mas em cima do casal que permaneceu unido
nasceram duas flores, não flores quaisquer,
flores idênticas aquelas que ele com carinho cuidava,
não tinham quem as regasse, cresceram da terra largada,
suportando sol e chuva. Eram extremamente lindas..
lindas porque cresceram e se fortificaram do amor que o casal cultivou.

Camila Oaquim.

22 setembro 2009

O segredo.

Olhei a paisagem, me calei..
prestei atenção em cada detalhe do que não importava
só pra ela não perceber que minha atenção é dela.
Passei a escutar mais do que falar,
aprendi que assim não se diz o que não pode falar.
Amar é realmente constrangedor,
é desconfortante querer tanto,
desconcertante não saber como agir.
Olhei novamente a paisagem,
o céu estava realmente encantador.
Me perdi olhando o sol,
mais um pouco ele chegaria a brilhar tanto quanto os olhos dela,
ou tanto quanto os meus quando a avistam.
Fiquei impaciente, me segurei, passou.
Ô vontade sapeca essa de falar o que não devo,
ô angústia desgraçada ao segurar meus nervos.
Decidi não falar, e assim continuarei,
se amo ou deixo de amar só diz respeito a minha pessoa.
Levantei, caminhei,
da paisagem que antes olhava agora passei a fazer parte.
Guardei pra mim os pensamentos mais absurdos,
hipóteses, sonhos, planos pro futuro.
Um dia eu conto, um dia eu me arrisco,
enquanto o medo não passa o segredo permanece,
e o amor, bem guardado no meu coração.

Camila Oaquim.

20 setembro 2009

Aqui.

Preciso de você aqui
por mais um dia, por mais uma noite.
Preciso acreditar que você é meu
que me ama e sempre vai amar.
Estou doente, sua ausência me deixa assim,
pela proximidade o ódio me toma,
ao me entregar a outros tentei te encontrar e não consegui,
não quero que saiba que tentei..
não quero que repita o que fiz
não suportaria você com outra porque seu lugar é aqui.
Quando você despiu-me, junto a roupa tirou-me o medo
quando fomos um, tive certeza que nunca mais seriamos dois
e agora.. querido, preciso de você aqui.

Camila Oaquim.

17 setembro 2009

Argila.

É como argila, seca, dura,
mas que misturada com o que não se pode segurar,
o que se faz indispensável mesmo tendo ausência de cor ou cheiro,
se torna tão maleável, tão gostosa de manipular.
Talvez seja esse o seu problema,
aos que não se fazem água o suficiente pra conseguir lhe domar,
ela se faz arrogante, e aos aguados, se faz submissa.
Nunca ligou muito para o que pensavam,
se não gostava de alguém, não havia conversa que desse jeito,
simplesmente não gostava,
e se lhe dirigisse a palavra com certeza em troca viria o escárnio,
não sei se imatura ou pedante demais,
ela era orgulhosa ao cúmulo e por isso não olhava pra trás,
tinha atitude, era sagaz, seu grande problema era se achar mais,
mais do que alguém poderia sonhar,
mais do que qualquer um poderia ter,
até que com água demais ela começou a derreter.
A cada passo firme que dava, ela se desfazia,
deixando um pouco de si em tudo
enquanto não conseguia levar quase nada
e de partes em partes ela foi desaparecendo,
até o dia que não restou nada além de sua vaidade mórbida.
Hoje já não existe água que amoleça a argila que já não existe
o nada que sobrou tornou-se pedra,
e a pedra se encontra no mais obscuro penhasco
a qual ninguém irá se jogar e encontrá-la,
como o ditado diz, se planta o que se colhe,
e mesmo infeliz, ela não dá o braço a torcer..
e este é o triste fim de quem mesmo se descobrindo errado
prefere continuar errando à mudar a sua postura sobre as coisas.